From a clifftop a man stands alone and ever alert, scanning the sea for a school of mullet fish. Even in the dark he is able to spot the fish and then rise the alarm when everyone is asleep, prompting other fishermen into action. He is known as “vigia do mar”, a watchman of the sea.
O Refúgio do Principe – Histórias Sopradas pelo Vento de Nei Duclós.
fishing net and the top of the hill, who lives the watchman of the sea.
Nei Duclós
“A realidade do pescador é a brusca mudança, o rochedo que aflora, o sumidouro, o roçar de um monstro, a mistura do vento, o peixe maior do que os braços. Ele vive diante da oportunidade perdida, da história afundada no tempo, na curva da onda batizada de Iemanjá, na tentação sonora em forma de sereia. O pescador perde a forma para adaptar-se às imposições mutantes da paisagem. Sua percepção sofre com esse penoso exercício e por isso não é convincente para quem vive fora do seu mundo. Mas ele sabe o quanto pode se enganar, principalmente quando fica de olho na água para vislumbrar a presa. Sua salvação é contar com o apoio do mais preparado dos seus pares, aquele que vive no alto do morro, só e desperto. É o vigia do mar. Ele vê cardume no escuro e dá o alarme quando todos estão dormindo. Visitei um velho vigia um dia desses, no Muquém.”
foto Ida Duclós Ingleses Beach
Quando chega o inverno, o Vento Sul tráz para o litoral catarinense os cardumes: a pesca da tainha é uma das tradições mais fortes de Santa Catarina, iniciada com a colonização açoriana, há mais de dois séculos. Está tão integrada a vida dos pescadores, que eles marcam os eventos familiares pela safra da tainha: um casamento, o primeiro filho, a compra do carro, o aumento da casa ou a reforma do barco.
Desde que amanhece até o entardecer, dia após dia um vigia com olhos experientes permanece num ponto alto à beira do mar com a missão de localizar o cardume. Enquanto aguardam o aviso do olheiro, os demais colegas passam as horas fazendo ou consertando redes e conversando. Avisados da presença do cardume, os barcos são colocados na água para o cerco das redes aos peixes. Feito o cerco, começa um mutirão para puxar as redes para a praia. Finalizado o lanço, qualquer ajudante, pescador ou não, recebe sua cota de tainha para levar para casa.
Seu Modesto, vigia do mar, em sua casa com seu irmão Altair e D. Mimosa, sua esposa.
Em seu Livro o “Refúgio do Príncipe – histórias sopradas pelo vento”, Nei Duclós conta sobre o velho vigia do mar das praias de Ingleses e de Santinho – Seu Modesto – e muitos outros que viraram personagens de sua literatura e fazem parte da vida da Ilha de Santa Catarina. Na foto acima, o livro retorna para quem lhe deu origem: as pessoas que habitam a Ilha, trabalham duro para sobreviver, mas não deixam de cultivar sua beleza. O livro foi recebido com carinho, assim como são recebidos todos os visitantes que chegam nessa casa simples, com as portas sempre abertas. “Só existe três coisas nessa vida: a presença de Deus, das crianças e das flores”, me diz Seu Modesto sorridente.
Despeço-me, prometendo voltar breve. Quero me sentir abençoada por essa terra que me alimenta e aprender com os velhos pescadores a decifrar o segredos do mar que me cerca.




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