Pernety, Antoine-Joseph, 1771 ‘Saint and Catherine and Island and Forts’
Antoine Joseph Pernetty - ou ainda Dom Pernety, foi membro de uma expedição empreendida por Louis Antoine de Bougainville, com a qual esteve na ilha de Santa Catarina em 1763, a bordo do navios “l’Aigle”, que vinha acompanhado do “Le Sphinx”. Escreveu “Histoire d’un Voyage aux isles Malouines, fait en 1763 & 1764, avec des Observations sur le detroit de Magellan, et sur les Patagons”.
Existem na baía onde ancoramos, três fortes que defendem a entrada; o primeiro está situado na ponta da ilha e se chama Forte da ponta Grossa; em frente está o segundo, chamado Forte de Santa Cruz. Seu aspecto é muito vantajoso porque está construído numa plataforma sustentada por arcadas: é onde reside o Comandante. O terceiro forte está mais próximo da Vila. Dá-se-lhe o nome de Forte da Ilha Ratones. Ancoramos entre os três; o Comandante nos fez compreender por sinais que este era o melhor ancoradouro: tinha uma boa visão e estava perto da terra firme…
Passamos em seguida pela vila, que me pareceu composta de umas cento e cinquenta casas, todas tendo somente o résdo-chao, a guarnicão ocupa uma parte e a outra é ocupada pelos brancos de um lado e os negros eou mulatos do outro. . vêem-se na Ilha de Santa Catarina homens de todo o tipo de peloe, do negro até o branco. Os mulatos sao me maior número, geralmente feios, com um ar selvagem, como se fossem uma mistura de brasileiros com negros.
Andam descancos, cabeca descoberta e muito mal penteados; suas roupas consistem em uma camisa, um calca e às vezes um casaco que jogam nas costas, `maneira dos espanhóis. Os que ganham mais, utilizam um chapéu de forma muito alta, com abas de quase dez polegadas. abaixadas. Estes estao cobertos e usam um paletó acrescido de um casaco amplo que vai até aos pés, levantando às vezes a ponta baixo para o ombro do lado oposto. Ao invés do chapéu, alguns usam um capuz do meste tecido do casaco, ondestá preso e serve para cobrir a cabeca, costume este que impede mesmo a seus amigos de serem reconhecidos.Os escravos andam quase nus; a maioria se cobre com uma tanga em torno dos ombros. É raro encontrar algum deles com uma camisa ou veste. Mas, desde que recebam sua liberdade, eles podem se vestir como os brancos. As escravas negras usam somente um pedaço de tecido que as cobre da cintura até acima do joelho; as que estão libertas vestem-se como as outras mulheres, com uma saia e uma camisa abotoada na frente, como as camisas dos homens, e, quando saem de casa, colocam um grande pano por cima, de tecido fino de lã, muitas vezes brancos, bordado com um fio de ouro, prata ou outro material, segundo suas condições e possibilidades.Esta peça de tecido tem, em geral, duas almas de comprimento por uma de largura. É arrumada de maneira que um dos angulos se encontre no meio das costas e produza um efeito semelhante ao capuz usado pelas carmelitas. O ângulo oposto cobre a cabeça, os dois restantes, depois de cobrirem os ombros e os braços até o cotovelo, vêm se cruza no peito, à moda dos mantelestes das francesas. Esta maneira de se vestir é muito incomoda porque, ao menor movimento do corpo, o tecido pertuba…
Os habitantes, homens e mulheres, vivem numa grande ociosidade, e deixam aos seus escravos o cuidado da limpeza e arrumaçao e o pouco trabalho que se faz na regiao.
A terra produz quase tudo o que é necessário para viver, sem que se dêem trabalho de cultivá-la. Na vila, nao se viu quase nenhuma tenda de mercador. Só vi uma marcenaria e um boticário.
* nota: nessa expediçao veio um comandante – denominado M. Duclos.

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