As razões do Desterro

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Mapa de Santa Catarina Island 1776, Manl Christovl. del Canto.

Durante os séculos XVII e XVIII, a Ilha de Santa Catarina foi visitada por navegadores de diversas nações que, na sua maioria, chegaram à ilha após uma longa viagem através do Atlântico. A ilha ficava na passagem dos navios que iriam dobrar o Cabo Horn – na época, rota obrigatória das embarcações que viajavam ao redor do mundo, indo para a costa oeste dos Estados Unidos, China, Índia e toda a Ásia. O Porto de Nossa Senhora do Desterro foi durante três séculos uma das principais portas de entrada para o Brasil Meridional, para a Baía do Prata e um ponto de apoio estratégico no Atlântico Sul. Suas duas baías, lado norte e lado sul, eram ancoradouros naturais em qualquer vento, e a tranquila população ilhéia permitia que o local servisse como posto de abastecimento, sem criar maiores dificuldades. Os navios se abasteciam de água e mantimentos, os mastros eram consertados, acertavam-se os instrumentos de navegação, enquanto os doentes se restabeleciam. O olhar estrangeiro se deslumbrava com a exuberância da natureza e a potencialidade dos recursos naturais do lugar – que contava com um porto seguro, moradores pacíficos, sem as altas taxas e burocracia do Rio de Janeiro. O registro que esses marinheiros fizeram sobre Florianópolis, além de ser importante fonte histórica e iconográfica, trazem a versão de quem chegou de fora e não está atrelado à política colonial brasileira. (“Ilha de Santa Catarina – Relatos de Viajantes Estrangeiros nos Séculos XVIII e XIX” – Ed.UFSC, org. Paulo Berger).

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Plano da ilha e porto St Catarina na America  essa

Muitos desses relatos prediziam que Florianopolis se tornaria um centro mercantil e cosmopolita, um dos principais portos do Brasil. Mas Florianopolis não cumpriu o destino previsto por seus visitantes. A ilha permanecia estagnada através dos séculos – sem apresentar grandes transformações. Preocupados com o comércio de cabotagem, os navegadores analisam as causas para essa estagnação. O principal motivo apontado é a proibição portuguesa de qualquer tipo de comércio na Ilha, que só tinha permissão para negociar com o Rio de Janeiro. Uma interdição que parecia ser absurda aos estrangeiros, pois até quando se tornou Porto livre permanecaim as restrições. Assim para vender seus produção, o os ilhéus deveriam levá-los de barco até o porto do Rio de Janeiro, e qualquer produto manufaturado deveria ser adquirido lá, vindo de Lisboa. Como isso encareceria demais qualquer tipo de atividade mercantil, os habitantes permaneceram produzindo somente o suficiente para seu próprio consumo. Quando as embarcações estrangeiras chegavam na Ilha de Santa Catarina, pediam licença ao governador da Provincia para abastecer seus navios, só com essa autorização eles podiam adquir o que lhes era necessário. Para os forasteiros que aqui aportavam, essa política portuguesa era um contrasenso que resultava na pobreza da população.

“Apesar de tantas vantagens , a região é muito pobre e tem falta absoluta de objetos manufaturados; de modo que os camponeses se encontram quase nus ou cobertos de andrajos; suas terras, que seriam muito próprias para o cultivo de cana de açúcar não podem ser aproveitadas por falta de escravos, pois não são suficientes ricos para comprá-los. A pesca da baleia é muito abundante: mas é uma propriedade da Coroa, arrendada a uma companhia de Lisboa: esta companhia tem, nesta costa, três grandes estabelecimentos nos quais se pescam cada ano cerca de 400 baleias, cujo produto, tanto azeite como em “sperme-céti”, é enviado para Lisboa pelo Rio de Janeiro. Os habitantes não passam de meros espectadores desta pesca, que não lhes traz nenhum proveito. Se o governo não vier em seu auxílio e não lhes der outras isenções ou incentivos que possa, ali incentivar o comércio, uma das mais belas regiões da terra definhará eternamente, o que não será de nenhuma utilidade para a metrópole.” La Pérouse, Voyage Autour Du Monde, 1790

NORONHA, António José de Freitas, fl. 1803 Gravata», fruto e planta da Ilha de Santa Catarina (Brasil)c2abgravatac2bb-fruto-e-planta-da-ilha-de-santa-catarina-brasil

Para compreender as razões portuguesas para essa política, é preciso considerar o difícil relacionamento que a Coroa Portuguesa mantinha com a Espanha. O grande interesse de Portugal, não era o desenvolvimento dessas terras, mas garantir sua posse na América Meridional, diversas vezes ameaçada de se tornar espanhola. No intricado xadrez geopolítico entre Portugal e Espanha, a Ilha de Santa Catarina foi apenas um peão com valor de troca. Assim, foi “Isla de Santa Catalina” (Caboto, 1526) antes de nos tornar “Póvoa de Nossa Senhora do Desterro” (Francisco Dias Velho, por volta de 1651).

A partir da fundação da Colônia de Sacramento (1680) a ilha catarinense se tornou um ponto estratégico, pois era necessária para dar cobertura militar à nova colonia. A sua posição era valorizada por situar-se praticamente a meio caminho entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, as duas maiores cidades litorâneas desse lado do Atlântico da época. Foi esse o principal motivo para a criação da Capitania da Ilha de Santa Catarina (11/08/1738), e a construção das fortalezas na ilha. O Brigadeiro José da Silva Paes foi designado à frente da Capitania e organizou o seu sistema de defesa. Construíram-se as fortalezas de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim (1738), de São José da Ponta Grossa (1740), de Santo Antônio, na Ilha de Ratones Grande (1740), e de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Sul (1740). O efetivo povoamento da região ocorreu entre 1748 e 1756, com a chegada de cerca de 6.000 colonizadores açorianos e meia centena de madeirenses, os quais se fixaram nas freguesias recém criadas da Santíssima Trindade, da Lagoa da Conceição, de Santo Antônio de Lisboa. Mas tarde em São João do Rio Vermelho, Canasvieiras e Ribeirão da Ilha.

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As relações entre Portugal e Espanha na América do Sul estavam muito longe ainda de se resolver, apesar dos diversos tratados já assinados. Para além dos acordos alcançados – quer o de Madrid em 1750, quer o de El Pardo, de 12 de fevereiro de 1761, que anulou o de Madrid – permaneciam as escaramuças e as desconfianças. Em 1776, A Espanha, influenciada pela França, organiza uma poderosa expedição naval , comandada por D.Pedro Cevallos, chegando a Santa Catarina no Brasil. Perante a força da expedição, a guarnição da ilha rendeu-se à armada de Cevallos, bem como mais tarde a Colônia de Sacramento, só parando a sua investida a norte do Rio da Prata por ordem de Madri. Provavelmente por intervenção da Rainha-mãe D.Mariana Vitória, junto de seu irmão o rei Carlos III, demonstrando-lhe que a paz era o melhor para os interesses das potências ibéricas. A partir desse momento começou o estabelecimento de um novo tratado, negociado pelo embaixador português junto da corte de Carlos III, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho e pelo conde de Floridablanca por Madrid.

O objetivo deste tratado, além de parar o conflito na América do Sul, pretendia restabelecer o tratado de Madrid – assinado por D. João V e Fernando VI. O tratado de Santo Ildefonso foi assinado em 1 de Outubro de 1777, mas atendendo a algumas dificuldades levantadas pelos espanhóis, sobre a formação da comissão mista , que iria no terreno demarcar os limites territoriais, este tratado foi considerado preliminar, só sendo realmente efetivado com o Tratado do Pardo em 11 de Março de 1778. A Ilha foi devolvida aos portugueses pelo então governador da Ilha o espanhol Guilherme Waugham, e é recebida pelo Cel. Francisco da Veiga Cabral da Câmara, do regimento da Bahia.

É dentro desse contexto que acontece o desenvolvimento da cidade de Florianópolis – de forma lenta, subordinado à política expansionista portuguesa. Seu porto permaneceu quase escondido, dedicado ao comércio local. Pode-se imaginar que graças a isso, a Mata Atlantica que cobre a Ilha de Santa Catarina tenha chegado ao século XX, já que o comércio de madeira era o mais ambicionado pelos antigos navegantes, que dela precisavam para a construçao ou calefatagem dos navios.

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Lista dos Navegadores que aportaram na Ilha de Santa Catarina

1. Frézier, Amédée François*****************1712 “Saint Joseph” e “Marie”

2. Shelvocke, George******************* ****1719 *”Speedwell”

3. Betagh, Willian ************************** 1719 *”Speedwell”

4.Anson, George****************************1740 *”Centurion”, “Gloucester”, “Sévern”, “Perle”, “Wager”

5.Dom Pernetty, Antoine Joseph*************1763 *”l’Aigle” e “Le Sphinx”

6.La Pérouse, Jean François Galaup de********1785 * “Astrolabe” e “Boussole”

7.Semple Lisle, James George****************1798 *”Lady Shore”

8.Krusenstern, Adam Johann von************1803 *”Nadeshda”

9.Lisiansky, Urey**************************1803 *”Neva”

10.Langsdorff, Georg Heinrich von***********1803 * “Nadeshda”

11.Mawe, John*****************************1807 *Vencedor

12.Golovnin, Vassili Mihailovitch (Almirante) *1808* “Diana”

13.Porter, David***************************1812 *”Essex”

14.Kotzebue, Otto von*********************1815 *”Rurick”

15.Chamisso, Adalbert von*****************1815 *”Rurick”

16.Choris, Louis**************************1815 *”Rurick”

17.Duperrey, Louis Isidore****************1822 *”La Coquelle”

18.Lesson, René Primevère****************1822 *”La Coquelle”

17.Seidler, Carl Friedrich Gustav***********1825 *”Caroline”

18.Trachsler, Heinrich********************1828 *”D. Pedro I”

 

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