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	<title>Férias Floripa &#187; Arqueologia SubaquÃ¡tica</title>
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	<description>Florianópolis, Ilha de Santa Catarina</description>
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		<title>A Ã¡guia submersa</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 21:38:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arqueologia Subaquática]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-319" title="lit-armanino-genova-l-ferloni-roma1" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/lit-armanino-genova-l-ferloni-roma1.jpg" alt="lit-armanino-genova-l-ferloni-roma1" width="405" height="640" /></p>
<p>Seria precipitado atribuir a Casa de Habsburgos – dinastia da Áustria – o símbolo da águia bicéfala, estampado no tinteiro de estanho, que foi encontrado em 2005,  entre os destroços do naufrágio da Praia de Ingleses &#8211; Florianópolis/SC. E partir dessa suposição imaginar que a frota espanhola ostentava uma bandeira com esse símbolo nos finais do sec XVII, como fizeram os inúmeras reportagens sobre o assnto. Existe nessa conjetura uma falha do ponto de vista cronológico: desde 1555, a águia bicéfala nao poderia mais estar entre os símbolos da monarquia espanhola, tanto no continente como em seus domínios americanos, o mesmo ocorrendo em relação a Portugal e seus domínios quando da União das Coroas (1580-1640), ou seja, desde quando a monarquia espanhola e o Sacro Império se desvincularam, os Áustrias espanhóis não puderam mais usar a insígnia habsburguiana da águia bicéfala, concernente só ao Império.</p>
<p>Entre os anos de 1660- 1730, a águia bicéfala tornou-se um motivo comum nas artes decorativas e nos objetos artísticos da época, espalhada tanto nos domínios do Vaticano, como na Espanha e em Portugal e seus domínios na América, África e China. Ela aparece sem os elementos heráldicos e insígnias que compõem geralmente as armas dos brasões. É encontrada em frontais de altares, em púlpitos, em retábulos, em oratórios de mesas, em cabeceiras de camas e em vários outros objetos. Germain Bazin em seu livro Architecture Religieuse Baroque au Brèsil, de 1957, faz um levantamento da numerosa ocorrencia desse desse motivo na arte luso-brasileira. Atribuí a causa disso a uma moda da decoração do período barroco.</p>
<p>Maria del Carmen Heredia, Archivo Español de Arte (1996) traz o exemplo de várias lunetas de vidro (fabricadas entre 1670 e 1715), que tem em sua hastil uma águia bicéfala. A autora não consegue explicar o motivo de tal adorno, apesar de fazer uma associação com a reliogisidade dos jesuítas. Essas observações são feitas pelo historiador Jaelson Bitran Trindade em &#8220;Vieira, o Império e a Arte: emblemática e ornamentação e ornamentação barroca.</p>
<p> <img class="alignleft size-full wp-image-289" title="aguia" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/aguia.jpg" alt="aguia" width="291" height="218" /></p>
<p>Na análise feita por Trindade, houve uma reapropriação do simbolismo desse signo pelo catolicismo. O significado do emblema da águia bicéfala - a união entre os poderes espirituais e materiais &#8211; é a grande reinvindicação da autoridade da Igreja na segunda metade do século XVII, por se sentir ameaçada num mundo em transformação. Para Trindade, trata-se de impor a soberania da fé católica, que já havia sido contestada no século anterior pela Reforma Protestante. O Vaticano enfrenta as correntes de pensamento religioso do &#8220;Molinismo&#8221; e os &#8220;Bañezianos&#8221; seus adversários, o &#8220;Jansenismo&#8221; e o &#8220;Quietismo&#8221;, algumas delas condenadas expressamente por Roma. Existe ainda uma crise cultural tentando conciliar o racionalismo tomista com o novo racionalismo iluminista que começava a surgir. É desta época o julgamento de Galileu &#8211; cujas teses, só teriam a possibilidade de demonstração física da verdade séculos mais tarde.</p>
<p>Segundo Trindade, o trabalho árduo da Companhia de Jesus pela &#8220;ad maiorem Dei gloriam&#8221; é para assegurar o poder espiritual e material do Vaticano, nas novas colonias de Portugal e Espanha. Para o historiador, a águia bicéfala passa a representar a “Mãe Santíssima”, a Virgem é o humano tornado divino, tanto quanto deu carne à divindade. Por isso, sua imagem encontra-se espalhada em todos os lugares na China, na África, na América assim como nos países ibéricos. Os prelados e outros dignatários do clero adotam a águia bicéfala em seus pertences, contadores, cofres, tapetes, cabeceiras de leito e etc. Talvez seja aqui, que melhor se encaixe o tinteiro de estanho que os megulhadores da ONG Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS) encontraram.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-318" title="aguiabicefalanaufragio10" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/aguiabicefalanaufragio10.jpg" alt="aguiabicefalanaufragio10" width="448" height="291" /></p>
<p>Se assim for, há a possibilidade que algum dignitário eclesiástico estivesse a bordo da embarcação naufragada na praia de Ingleses e seu porta tinteiro tenha sido encontrado cerca de trezentos anos depois. Essa suposição poderia abrir novas linhas de pesquisa, que ajudassem a desvendar a história escondida embaixo do mar na praia de Ingleses. Seria possível até juntar algumas peças desse quebra cabeças: o lacre de chumbo &#8211; também recolhido no naufrágio -com uma espampa igual a insigna papal, poderia mesmo selar alguma correspondência do Vaticano destinada a uma missão mais ao sul do continente. Assim como o sino de bronze &#8211; outro objeto resgatado pelos mergulhadores &#8211; que deveria ser entregue para alguma instituição da Igreja?</p>
<p>Há ainda mais um motivo para a representaçao da águia bicéfala, impressa no porta tinteiro. A última década do século XVII &#8211; época em que teria ocorrido o naufrágio pesquisado &#8211; coincide com o rápido reinado do Papa Alexandre VIII (1689 &#8211; 1691). Filho de uma aristocrática família de Veneza, Pietro Vito Ottoboni, quando é conclamado Papa &#8211; adota o nome de Alexandre VIII e mantém em seu escudo papal o desenho do brasão da família Ottoboni: a águia de duas cabeças.</p>
<p>                                                                                                                                                                                                                   <img class="alignleft size-full wp-image-324" title="071a20stemma20papa20alessandro20viii20168920-201691" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/071a20stemma20papa20alessandro20viii20168920-201691.jpg" alt="071a20stemma20papa20alessandro20viii20168920-201691" width="300" height="400" /><img class="alignleft size-full wp-image-293" title="lacre1" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/lacre1.jpg" alt="lacre1" width="140" height="160" /><img class="alignleft size-full wp-image-292" title="lacre" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/lacre.jpg" alt="lacre" width="282" height="217" /></p>
<p>Brasão do Papa Alexander VIII, sino do naufrágio e restituição fotogramétrica digital de Priscila von Altrock do porta tinteiro<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-332" title="sino" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/sino.jpg" alt="sino" width="250" height="366" /><strong>Similar Posts:</strong>
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