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	<title>Férias Floripa &#187; Praia de Ingleses</title>
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	<description>Florianópolis, Ilha de Santa Catarina</description>
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		<title>O resgate de projeto pioneiro</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 21:39:43 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Arqueologia Subaquática]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: center"><img class="size-full wp-image-231          aligncenter" title="oficinas4" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/oficinas4.jpg" alt="oficinas4" width="766" height="558" /></p>
<blockquote><p>O fantasma de um galeão espanhol páira sobre o canto direito da Praia de Ingleses (Florianópolis/SC).  O navio está enterrado na areia, entre um e oito metros, a uma profundidade de dois metros da água e a uma distância de cinquenta metros da praia. O naufrágio aconteceu entre 1683 &#8211; 1737 &#8211; datas limites, estabelecidas pelos destroços encontrados:  uma régua de Gunther, com a inscrição do ano 1683, doze vasos de cerâmicas inteiros e 165 gargalos de botijas. Um instrumento naútico sugere a rota do navio: ao norte, as Ilhas Canárias, ao sul o Rio da Prata. O leme diz que provavelmente houve um incêndio a bordo. Os ossos encontrados pertenciam a indivíduos de 16 e 20 anos, idade comum dos marinheiros na época. Alguns dos pertences dos náufragos &#8211; como o tinteiro com uma águia bicéfala impressa e  um lacre de chumbo &#8211; semelhante ao usado para nos documentos do Sumo Pontífice &#8211; permite que algumas hipóteses sobre sua origem sejam feitas. As teorias sobre a origem e identificação do naufrágio são deduzidas por comparação, cruzamento de dados e modernas pesquisas.</p>
<p>O resgate desse naufrágio é feito sob a coordenação da ONG  “Projeto de Arqueologia Subaquática” (PAS).  É um projeto modelo iniciado em 2004, único aprovado pela Marinha – elaborado para servir como referência às novas pesquisas de arqueologia subaquática no Brasil. A ONG já teve até quarenta colaboradores &#8211; especialistas multidisciplinares, através de convênios com  a Universidade Federal de Santa Catarina, FAPESC , governo estadual e patrocínio do Ministério da Cultura &#8211; e o projeto foi reconhecido como o melhor da área no Brasil, inclusive por técnicos da própria Marinha. O objetivo principal do projeto é saber como era vida dos navegantes a bordo, o que vinham fazer aqui exatamente, o que transportavam, como se alimentavam, porque naufragaram, entre outras questões.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-348" title="museu02" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/museu02.jpg" alt="museu02" width="838" height="626" /><br />
<em>foto Juliana Duclós</em></p>
<p>A sede do projeto -sete contêineres de 6 metros por 2,4 metros- foi montada no canto direito da praia de Ingleses e deveria permanecer aberta a visitação. Mas durante o ano de 2008, o trabalho &#8211; que numa primeira etapa consumiu R$ 1,2 milhão &#8211; ficou paralisado por falta de recursos. Mesmo o financiamento de R$ 1,6 milhão, feito pelo governo do estado de Santa Catarina em 2005, conseguiu cobrir o custo do projeto que conta com mergulhadores, geólogos, biólogos, historiadores e oceanógrafos. O trabalho pioneiro de prospecção da área já conseguiu recuperar mais de oitocentos objetos pertencente à embarcação. A quilha do navio encontrada mostra que a embarcação tombou para o lado oposto ao que foi escavado até agora, isso significa que apenas 20% do total dos objetos já foram retirados do local. O projeto &#8211; realizado dentro de critérios rigorosamente científicos, utilizando aparelhagem sofisticadas &#8211; pretendia inicialmente a construção de um museu de arqueologia subáquatica, na cidade de Florianópolis. Reverteria assim para a comunidade o conhecimento acumulado durante a sua execução e colocaria disponível os tesouros recuperados do fundo do mar.</p>
<p>Uma nova parceria entre o Instituto Soto Delatorre, o Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali) &#8211; feita no final de 2008 &#8211; permitiu a retomada dos trabalhos e está transferindo o acervo para cidade de Itajái. A Univale pretende montar um Centro de Estudos Subaquáticos &#8211; com laboratório equipado e toda infra-estrutura própria para tratamento de peças de naufrágios, desde partes estruturais das embarcações até as mais delicadas peças, como cabos e porcelanas. Florianópolis e a Praia de Ingleses perdem assim a oportunidade de ter um museu de Arqueologia Subaquática de um valor educativo inestimável para a comunidade, além de ter um forte apelo turístico.</p>
<p><img class="size-full wp-image-238  aligncenter" title="museu01" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/museu01.jpg" alt="museu01" width="897" height="673" /><em>foto Ida Duclós</em></p></blockquote>
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		<title>As jarras naufragadas</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 21:37:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arqueologia Subaquática]]></category>
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		<description><![CDATA[Praia de Ingleses, foto Ida Duclós Texto de Alexandre Monteiro  Arqueólogo português   Logo após a descoberta do continente americano, a Espanha Imperial viu-se na obrigação de exportar para o Novo Mundo grande parte dos alimentos e confortos a que os colonizadores ibéricos estavam acostumados no seu território natal. Um dos grandes pilares desse esforço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-263  aligncenter" title="museu03" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/museu03.jpg" alt="museu03" width="789" height="595" /></p>
<p>Praia de Ingleses, foto Ida Duclós</p>
<p><em><a href="http://alexandre-monteiro.blogspot.com/">Texto de Alexandre Monteiro</a> <br />
Arqueólogo português</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em> </p>
<p><em></em><br />
Logo após a descoberta do continente americano, a Espanha Imperial viu-se na obrigação de exportar para o Novo Mundo grande parte dos alimentos e confortos a que os colonizadores ibéricos estavam acostumados no seu território natal. Um dos grandes pilares desse esforço foi a indústria de olaria que floresceu no sul de Espanha, à volta dos grandes portos de Sevilha e de Cádiz, de onde partiam as armadas para as Indias de Castela e que produziu toda uma classe de contentores, hoje em dia chamados de anforetas ou de jarras de azeitonas, ou em espanhol, botijuela, botijas peruleras ou jarras de aceite.</p>
<p>Estes recipientes de barro, herdeiros de uma tradição oleira do Mediterrâneo com origem na Antiguidade Clássica, tinham formas indicadas para a estiva e transporte em águas agitadas, formas que permitiam igualmente maximizar a integridade estrutural do contentor, enquanto que a pequena abertura que possuíam permitia um fecho mais fácil com um mínimo de câmara de ar no interior.</p>
<p>As jarras de azeitonas eram produtos utilitários, fato que está bem evidente na deficiente qualidade de fabricação, sinal de que a quantidade era mais importante que a perfeição do produto final. Bolhas de ar na pasta, gargalos defeituosos ou corpos assimétricos não eram relevantes para a qualidade de fabrico, já que o que mais importava era que a jarra fosse estanque o suficiente para poder transportar líquidos tão variados como óleo lubrificante, óleo para a iluminação, vinho, vinagre, mel ou água.</p>
<p>Matérias sólidos eram também transportados nas jarras, nomeadamente azeitonas, lentilhas, gordura, projéteis de chumbo ou alcatrão. Para que mais facilmente fossem protegidas na viagem, as jarras eram envolvidas numa armação de palha, herdeira da tradição italiana de forrar os recipientes de barro em material fibroso, tradição que ainda hoje se mantém para as garrafas de Chianti.</p>
<p>As jarras eram fabricadas em torno de oleiro, sendo submetidas posteriormente a cozedura em forno. Logo no inicio do século XVI, para de se aproveitar ao máximo os espaços livres dos porões do navios, as jarras perderam as asas incómodas e frágeis que as caracterizavam até então, passando a exibir um gargalo menos comprido , mais estreito e grosso. Este gargalo constitui então um ponto seguro de fixação para um arame de cobre que veio fixar a rolha de cortiça ao corpo da jarra.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-343" title="fragmentobotija" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/fragmentobotija.jpg" alt="fragmentobotija" width="561" height="393" /></p>
<p>Tipologia das jarras</p>
<p>Segundo Mitchell Marken, as jarras espanholas dividem-se. de acordo com as suas formas e volume, em três tipos básicos: tipo A ou botijas peruleras, tipo B ou botija de media arroba e tipo C, botijas conicas.</p>
<p>No século XVI, as jarras do tipo A tinham um volume de cerca 16 litros e eram geralmente constituídas por barro normal, ao contrário do que acontecia no século XVII, em que o seu interior era geralmente vidrado &#8211; assistiu-se, ainda neste século, a um estreitamento das jarras e ao uso de alcatrão e rolhas de cortiça como método de selagem das jarras.</p>
<p>Típicas da primeira metade do século XVII são também as jarras de fundo chato e as incisões ou marcas de proprietários nos gargalos, que foram encontradas apenas em naufrágios ocorridos nesse período como, por exemplo, nos naufrágios do San Antonio (1621), do Nuestra Señora de Atocha (1622) e do Nuestra Señora de la Concepción (1641).</p>
<p>No século XVIII, as jarras do tipo A são mais largas do que as suas antecessoras, enquanto que o barro usado na sua fabricação é de melhor qualidade, daí resultando uma pasta de características mais homogêneas. Nenhuma das jarras recuperadas em naufrágios desta época apresenta quaisquer sinais ou marcas no gargalo.</p>
<p>As jarras do tipo B, de forma globular e com uma capacidade de 6,67 litros (meia arroba castelhana de azeite), quase que não apresentam diferenças entre si, de século para século. Como característica mais marcante, pode-se observar que as jarras do século XVII não apresentam qualquer vidrado, à semelhança, aliás, do que acontecia com as jarras do tipo A.</p>
<p> </p>
<p>fotos ONG PAS</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-282" title="mergulhadorbotija" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/mergulhadorbotija.jpg" alt="mergulhadorbotija" width="569" height="375" /><img class="alignright size-full wp-image-283" title="mergulhadorbotija1" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/02/mergulhadorbotija1.jpg" alt="mergulhadorbotija1" width="513" height="343" /><strong>Similar Posts:</strong>
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		<title>A arte na pedra</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 00:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte Rupestre]]></category>
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		<description><![CDATA[    foto de Ida Duclós, lado direito da Praia de Ingleses  Há milhares de anos uma civilização desconhecida deixou sua marca inscrita nas rochas da Ilha de Santa Catarina.  Ninguém sabe qual sua origem ou significado. Poucos cientistas estudaram essas inscrições e os que já o fizeram, negam se tratar de alguma linguagem ainda incógnita. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: center"> <img class="size-full wp-image-121 alignnone" title="oficinas3" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/oficinas3.jpg" alt="oficinas3" width="779" height="614" /><br />
<em>  foto de Ida Duclós, lado direito da Praia de Ingleses</em> </p>
<p>Há milhares de anos uma civilização desconhecida deixou sua marca inscrita nas rochas da Ilha de Santa Catarina.  Ninguém sabe qual sua origem ou significado. Poucos cientistas estudaram essas inscrições e os que já o fizeram, negam se tratar de alguma linguagem ainda incógnita. Até o momento, só foram encontradas gravuras (petroglifos), não existindo pinturas (pictoglifos). Os desenhos tem motivos geométricos abstratos, representações humanas e, mais raramente, representações de animais. </p>
<p><em><img class="size-full wp-image-98  aligncenter" title="petroglifo-ilha-aranha" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/petroglifo-ilha-aranha.jpg" alt="petroglifo-ilha-aranha" width="534" height="250" /></em></p>
<p><em></em></p>
<p> Somente num sítio arqueológico &#8211; pode haver outros ainda não registrados &#8211;  as linhas não têm formas geométricas definidas, são traços livres que não se consegue associar a nenhuma imagem. Fica num caminho localmente conhecido como “Caminho dos Reis”, uma <a href="http://www.feriasfloripa.com.br/trilhas-e-caminhos/trilha-barra-da-lagoa-praia-da-galheta">trilha que liga a Praia da Galheta à comunidade da Barra da Lagoa</a>. É uma peça única, 17x 28 centímetros, muito bem polida, que  não foi desprendida de nenhum conjunto rochoso.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-92" title="galheta21" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/galheta21.jpg" alt="galheta21" width="397" height="171" />( Levantamento de Arte Rupestre na Ilha de Santa Catarina e Ilhas Adjacentes, Rodrigo Aguiar, 1997 )</p>
<p><em><img class="size-full wp-image-101  aligncenter" title="img007" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/img007.jpg" alt="img007" width="567" height="391" /> foto Fabiana Comerlato,  Ilha do Campeche.</em> </p>
<p>Em alguns lugares, as inscrições rupestres parecem ser verdadeiros murais – onde os mesmos símbolos são repetidos em diversas combinações. Em sua maioria, foram gravadas na superfície dos paredões de diabásio, nos costões das praias de mar bravio &#8211; voltadas para o Oceâno Atlântico. De cor preta, quase brilhante o diábase ou diabásio (do grego diábasis, travessia e diabaínein, cruzar) é uma rocha basáltica, que faz parte da paisagem da Ilha, encontrada em todas as encostas dos morros.</p>
<p>Em todo litoral brasileira, só no estado de Santa Catarina existe registro de gravuras rupestres litorâneas.  </p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-106" title="rohr" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/rohr-219x300.jpg" alt="rohr" width="219" height="300" /></p>
<p>Apesar dessas inscrições serem mecionadas desde o século XIX, as primeiras pesquisas só começaram em 1958, quando João Alfredo Rohr fez um levantamento detalhado dos sítios arqueológicos da Ilha e seu entorno. Rohr era um jesuíta, professor do Colégio Catarinense, no qual chegou a ser Reitor e Diretor Geral. Interessado pela arqueologia, iniciou o Museu do Homem do Sambaqui em 1964, localizado no mesmo colégio, no centro da cidade.</p>
<p>Em 1944, Pe. Rohr &#8211; que na época ainda não tinha se dedicado ao estudo da arqueologia &#8211; retirou da Praia do Santinho, uma rocha com uma gravura de representação humana. Essa atitude gerou grande revolta na comunidade local e, posteriormente, opiniões divergentes entre os arqueólogos. Gravada em bloco de diabásio, de cor preta, a figura tinha 1,60 metro de altura e era motivo de culto local, colocava-se velas em no seu &#8220;altar&#8221;, de frente para o mar.</p>
<p> Na época, o sumiço do Santinho levou centenas de pessoas a uma passeata em frente ao Colégio Catarinense. Moradores da praia dos Ingleses percorreram mais de 35 quilômetros para exigir explicação dos governos estadual e municipal, e também da administração da escola. Naquele ano a pesca foi ruim e os devotos do Santinho atribuíram a culpa ao padre.</p>
<p>Nessa confusão, o petroglifo  sumiu e não foi mais localizado. Vinte e cinco anos depois, quando Pe. Rohr já havia se tornado um arqueólogo respeitado no meio científico, publicou em um de seus estudos sua versão dessa história:   </p>
<ul>
<li> <em>&#8220;A Praia do Santinho tem o seu nome derivado de um petroglifo, em forma de boneco, gravado em um bloco de diabásio, ao qual o povo simples dos arredores tributava culto, acendendo velas. Sem estarmos a par dessas ocorrências, há 25 anos, junto com outras itacoatiaras da mesma praia, transportamos ao museu (Museu do Homem do Sambaqui, inaugurado pelo padre Rohr no Colégio Catarinense, em 1964), este pretenso Santinho.&#8221;  </em>Petroglifos da Ilha de Santa Catarina e Ilhas Adjacentes, Rohr, 1969.  </li>
</ul>
<p>Pe. Pedro Ignácio Schmitz, arqueólogo e especialista no legado deixado pelo padre Rohr,  lembra que viu pela última vez o monolito no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. No acervo do Museu do Homem do Sambaqui “Pe. João Alfredo Rohr” encontram-se duas gravuras, uma retirada da Ponta das Campanhas da Armação do Pântano do Sul e outra da Ilha dos Corais. A polêmica permanece atual, já virou enredo de livro e até argumento de filme.  Não houve tolerância com a inexperiência de um jovem professor, recém chegado à Florianópolis. O jesuíta terminou perdendo seu cargo de professor de química e história natural do Colégio,  o que lhe deixou tempo livre para se especializar em arquelogia, possívelmente motivado por essa insólita reação popular.</p>
<p>Rohr fez um trabalho pioneiro &#8211; dentro de rigorosos critérios científicos &#8211; e entre outras pesquisas, um levantamento sistemático de todos os sítios arqueológicos de Florianópolis. Se ainda não foi encontrada a pedra do Santinho, ganhamos em troca um registro preciso dos petroglifos da Ilha de Santa Catarina e arredores ( a Ilha do Campeche e a Ilha do Arvoredo são dois dos maiores sítios de arte rupestre brasileira) , levantamento e estudo de sambaquis &#8211; que hoje estariam extintos e sem registro, não fosse a dedicação de Pe. Rohr. Passado tanto tempo, não seria agora um bom momento para rever esse episódio, tentar localizar esse petroglifo &#8211; provavlemente esquecido em algum lugar de um colégio jesuíata e devolvê-lo para a comunidade? A Companhia de Jesus poderia fazer isso - encerrando com um final feliz essa história, deixando a memória do arqueólogo livre para a nossa gratidão pelo legado que nos deixou.</p>
<p><img class="size-full wp-image-108  alignleft" title="satinho" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/satinho.jpg" alt="satinho" width="34" height="74" /> Se o &#8220;santinho&#8221; não fosse motivo de um culto popular, ninguém teria prestado atenção em seu desaparecimento. É comum a população levar petroglifos como recordação, escrever por cima deles ou até mesmo dinamitá-los em busca de tesouros perdidos. Só recentemente começaram a ser valorizados como &#8220;museus ao ar livre&#8221; pelo pontencial turístico que tal apelo tem.  Sem cair na armadilha das campanhas publicitárias voltadas para o turismo,  que tentam &#8220;vender&#8221; a cidade como um produto místico &#8211; adotando em 1987, o slogan &#8220;Ilha da Magia&#8221; -  a história do jesuíta e a pedra do Santinho dá uma conotação mágico/religiosa aos sítios rupestres de Florianópolis. Essa relação permanece até hoje, em muitos dos cantos das praias &#8211; onde existe oficinas líticas ou inscrições rupestres &#8211; há um pequeno santuário, feito pelos moradores do lugar que continuam acendendo suas velas e rezando nesses locais. </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-118" title="relic1" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/relic1.jpg" alt="relic1" width="884" height="659" /><em>fotos de Ida Duclós,  lado esquerdo (acima) e lado direito (abaixo)  da Praia de Ingleses. </em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-156" title="oficinas1" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/oficinas1.jpg" alt="oficinas1" width="897" height="673" /></p>
<p> Possívelmente, baseado nesse costume das comunidades de pescadores, que &#8220;guardam&#8221;  os cantos da praia com a proteção de seus santos prediletos, Padre Rohr levanta a hipótese que as inscrições rupestres tenham sido feitas por motivos religiosos. Transpõe assim um hábito de seu tempo para uma civilização desconhecida e extinta há milhares de anos. </p>
<ul>
<li> <em>&#8220;Ponto obscuro e problemático é o significado e a interpretação dos petroglifos .<br />
Certamente, nao constituem uma espécie de escrita ou alfabeto secreto e desconhecido&#8230;certo que o grande número de petroglifos, formando belos conjuntos, em ilhas de dfícil acesso e gravados com pedra em outra pedra duríssima, representa esfôrço demasiado grande para ser mero passatempo. Acresce que muitos conjuntos, evidentemente, obedeceram a um plano preditado e previamente esboçado. De mais a mais, na Ilha de Porto Belo, Ilha do Arvoredo e Ilha do Campeche, os petroglifos cobrem paredões de difícil acesso. Aqueles petroglifos foram executados por homens, trabalhando durante horas e horas, dias seguidos, em posiçôes das mais incômodas, e às vezes, como que colados à rocha&#8230;</em></li>
<li><em>&#8230;Tudo isso nos leva a crer que os petroglifos, ao contrário de brincadeira de índios ou lugares comuns, possuíam para o índio grande importância. Hipótese esta confirmada e robustecida pela localização dos petroglifos em praias as mais brabas e furiosamente batidas pelos vagalhões do mar alto; portanto, lugares que incutem medo, respeito e pavor.<br />
Isto nos leva a crer que os petroglifos possam ter significado mágico religioso&#8230; esta interpretação aproximaria os petroglifos dos hieroglifos, que eram símbolos sagrados, gravados pelos sacerdotes em pedra ou outra matéria resistente.&#8221;  </em> Petroglifos da Ilha de Santa Catarina e Ilhas Adjacentes, Rohr, 1969.   </li>
</ul>
<p>Somente em 2005, a arqueóloga Fabiana Comerlato vai propor um novo olhar ao estudo da arte rupestre da Ilha de Santa Catarina. Ela delimita a área geográfica entre Porto Belo e Garobapa ( com a ilha de Florianópolis no meio),  como  um espaço semântico criado por uma cultura ainda desconhecida, que demarcou esse pequeno trecho do litoral com um código que ainda não foi decifrado. Mas que apresenta uma unidade tanto na sua forma, como na sua feitura  e nos lugares onde foram gravadas.      </p>
<ul>
<li>&#8220;<em>Desta maneira, podemos dizer que entre Porto Belo e Garopaba existiu um território rupestre. Isto significa que as representações rupestres operavam, de certa forma, como um código visual de um grupo cultural específico. Esta unidade estrutural entre os sítios estudados, mesmo sem podermos adentrar ao significado das representações rupestres, indica que estes espaços articulados eram para seus executores parte de seu território&#8230;  Apesar das particularidades conferidas a cada sítio analisado, existe uma unidade geográfica, gráfica e tipológica que permite dizer que as representações rupestres estudadas fazem parte de um mesmo sistema de representação, em que seus executores imprimiram em cada local uma maneira particular de criar o seu espaço gráfico, sem perder a regularidade inerente a aplicação de um código visual comum às populações de pescadores pré-históricos que habitaram o litoral central catarinense (Comerlato, 2005).</em><img class="aligncenter size-medium wp-image-169" title="porto" src="http://www.feriasfloripa.com.br/wp-content/uploads/2009/01/porto-183x300.jpg" alt="porto" width="183" height="300" /></li>
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